Jogos x violência: a velha polêmica ressurge

Embalados por trágicos acontecimentos no país envolvendo jovens, armas e assassinatos em massa, políticos no Brasil ressurgem com projetos de criminalização de jogos violentos. 

A razão para a retomada da pauta se baseia na justificativa, “…banalização da vida e da violência pela população jovem é advinda pelo convívio constante com jogos eletrônicos violentos.” como afirma Júnior Bozzela, autor da PL 1577/2019 apresentada em 19/03/2019.

Nos últimos anos outras propostas foram apresentadas na Câmara dos Deputados com o intuito de proibir e/ou criminalizar jogos violentos, porém, todas foram arquivadas.

Contra dados não há argumentos

Andrew Przybylski é professor e diretor de pesquisa no Oxford Internet Institute e seu trabalho abrange estudos e análise comportamental sobre a interação das pessoas em ambientes virtuais, incluindo videogames e mídias sociais. 

Uma de suas pesquisas foi realizada com 2008 adolescentes, divididos em dois grupos iguais onde uma parte não tinha contato com jogos violentos e a outra metade era composta por jogadores frequentes. 

A coleta de dados dessa pesquisa incluia:

  • A classificação dos jogos mais escolhidos em relação com a faixa etária dos jogadores
  • Relato adicional fornecido pelos pais dos participantes em relação ao comportamento social de seus filhos, dentre outros

O relatório final desse trabalho foi publicado em fevereiro de 2019 e desassocia o comportamento agressivo de adolescentes ao uso de videogames com prática de jogo violentos.

Ciente do impacto do seu trabalho, Przybylski afirmou, “Apesar do interesse no assunto pelos pais e políticos, a pesquisa não demonstrou que há motivo para preocupação” e ainda reiterou sobre a importância do uso dos resultados de pesquisas científicas nas tomadas de decisões que afetem a sociedade como um todo.

O que vem de fora não me atinge?

A pesquisa realizada por Andrew Przybylski incluía um relato fornecido pelos pais dos participantes em relação ao comportamento social de seus filhos. Esse é um ponto de reflexão super importante, por considerar a preexistência do histórico da pessoa.

Relacionar um comportamento agressivo, exclusivamente a uma ação como a prática de jogos violentos, soa impulsivo e preocupante. 


Desconsiderar, de forma generalizada, o histórico da pessoa e focar somente em uma ação momentânea, seria afirmar que o aumento do número de jogos violentos, representaria o aumento proporcional nos casos de violência ocasionados por jogadores dessas modalidades.

Uma pesquisa realizada em 2018 pela Gun Violence Archive mostrou que nos últimos 8 anos o Japão registrou somente 44 casos de mortes por armas.

Por outro lado, o número de gamers no país vem crescendo ano a ano e em 2017 eram contabilizados aproximadamente 65 milhões de jogadores. 

Ocupando a 3ª colocação mundial em número de jogadores e a 9ª posição como país mais seguro para se viver, o Japão traduz na prática a relação inexistente entre jogos e comportamentos violentos. 

Mas, e agora?

Usar a tecnologia e a ciência a nosso favor é sempre a melhor alternativa nos momentos de dúvida.
A ciência apresentou através de dados sólidos que não existe relação entre comportamento violento e jogos.
Com referência aos jogos, podemos citar vários benefícios para os usuários, como:

  • Aprendizado de línguas estrangeiras
  • Trabalho em equipe
  • Socialização
  • Pensamento lógico, dentre outros.

A tecnologia também é um importante gerador financeiro sendo a área de games um dos seus principais nichos. 

Ao invés de declarar guerra, ter como aliados jogadores, investidores e desenvolvedores, através de projetos de lei que incentivem a produção de jogos, acompanhando sua demanda e buscando formas de relação com o público, pode ser uma alternativa de grande ganho para o setor político.

E você, o que pensa sobre isso?